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Natália Parreiras

PO# 9000
Brazil
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Escritora brasileira e utopista. www.sonatainsone.blogspot.com
April 23, 2017
Recife, Brasil

Da legitimidade do abrigo

Ei,
Eu tô aqui
Olhos grudados na ternura
Dos teus,
Aconchego de abraço
Moldado no peito,
Silêncio a percorrer teus medos
Para que, com a mesma coragem,
Eu vença os meus.

Ei,
Eu tô aqui,
Pés aquecendo a extremidade
Trêmula
De cada insegurança,
Eu tô aqui
Embarcada e mesmo à distância
Atenta às marés
E à correnteza,

Ei,
Eu tô aqui inteira,
- Sã e salva -
Em cada passo
Da condução misteriosa
Das palavras,

E assim como me embalas
Na profundidade desconcertante
De tuas retinas,
Atravesso com meus versos
O papel e a neblina
Para apontar cada estrela
De cego
À tua volta.

Sabe esse sopro de amanhecer
Que bateu à tua porta?
Foi só o firmamento
Trazendo, enfim...

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April 22, 2017
 

Pela distração dos teus olhos

Meu amor,
O que corre aqui
É vivo:
Vez ou outra vai sangrar,
É verdade.

Mas não tenha medo,
Não crave em ti
Os espinhos de meus olhos, 
Ainda que venham das rosas
Que recebo de ti, 
Pelo vento.

Não te deixa ferir
Porque preciso-te forte,
Mais do que a mim,
Mais do que jamais precisei um dia.

E há sal em toda lágrima
Fortaleza nos pés que sobrevivem
Ao ruir de paredes,
Há ainda transparência,
E mesmo por sobre tetos de vidro,
Há a vidência.

Não deixa os teus olhos
Se esvaziarem, meu amor,
Conserva-os distraídos,
Sem culpa, 
Assim aprofundados
Da calma mais serena
Que o puro amor puder te dar.

Não te dou o mundo, 
Sabes,
Porque tens o meu
Bem dentro de ti,
E...

ANGEL OF AMOR
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April 21, 2017
 

Coração na mão

Parece que teu coração
Chega pra mim
Bombeando
Bombeado
Da ânsia maior do universo
Em ser alegria e alimento,
Em ofertar descobertas de paz
Aos que,
- há muito –
Perderam todo e qualquer alento.

Mas tu que te disfarças
E te confundes com cada um deles
Para assim metabolizar sua mais pura essência,
Não estás só.

Eu sei, nunca estiveste,
E, além de mim,
- Que te oferto minha alma como dama de tua companhia -
- O meu amor como sopro de utopia –
Tens o mundo,
O dom súbito de encorajar a justiça e as guerrilhas
- De paz –
Nas ruas e nas entrelinhas.

Mas ainda assim,
Teu coração chega sempre às minhas mãos
- Aguerrido - 
Mas frágil e dilacerado
Pela furta cor do sangue que derram...

HOLD ON TO YOUR HEART
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April 21, 2017
 

Poema para amanhecer Meu Bem

E cada verso teu
Que for pro mundo
Irei tomar no colo
Pois o teu embalo
Eu sei de cór.

E darei cor
À transparência magnética
Das tuas palavras,
Sempre que a rima teimar 
Em fugir de ti.

Eu sei,
Irei me curar e me ferir
Nos “autos” e baixos
Das tuas tantas ondas de inspiração,
Mas ainda assim
O meu verso será teu
- E será são -

E não hei de deixar parar de luzir
A foz inédita do vazio
Pois te quero vasto e fértil,
Quero teu sorriso largo e fiel
Aos préstimos da tua alma
Em amplo espectro.

E serei tantas vezes tormenta
Outras vezes calma,
Mas apenas e o suficiente
Para sacudir a poeira dos nossos lençóis
E depois fazê-los de bandeira branca.

Eu vou te guardar ...

IN SEASON
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April 21, 2017
 

Do querer bem de Meu Bem

Um sopro
Da tua voz
Agora me pertence

Ela, inesgotável
E trêmula
E alterada
O que não muda 
É o que diz 
Essa tua voz safada.

Não no repertório lascivo
E sem-vergonha
Que mesmo só
Me acompanha desde então,
Mas no que engole a cada alcunha
Nas lacunas e entranhas
Da tua pura devassidão.

Sim,
Tu transmutas a minha língua
O meu vocabulário terno
- E educado - 
Tu bagunças os meus termos
E os põe sentados no teu colo
Coração disparado,
- E sangue vivo -

Mas eu não,
Eu não corro,
Eu fico, eu sigo 

E permito:
Eu desambiciono o amor
Das quimeras do sonho,
Pois o que me dás está muito além, 
Basta que eu mire
- Peito firme -
Na esfera do teu olho.

Se o meu desejo por t...

LETTRS BRIGHT
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April 21, 2017
 

Poeminha de Saudade

Hoje eu queria tanto
Um abraço teu de fim de dia
- Ou de noite - 

Eu queria a sorte
De ser tua fonte,
Tua fissura,
Tua fêmea,
Te ouvir dizer o meu nome
Com crueldade e com doçura,
Nos tons que tão bem conheço,
Quando tua fome se acentua.

Te mostrar as minhas unhas
A fragilidade sem alardes
Do meu aconchego,
Grudar nos teus lábios
Até um novo dia chegar,
Amanhecendo.

E perder a hora
A calma, 
Reconhecer o nosso encaixe
Por entre as vozes de segredo
Que perpetuam tanta história,
Acreditar no que há por vir.

Hoje eu queria
Te escrever um poema
Que te roubasse pra minha estrada
Ou que me entregasse,
Corpo e alma,
Toda,
- pra ti - 

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MOVING
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April 21, 2017
 

Da fome de todo dia

Quero dar de comer
Aos teus olhos
Para que mastigues com força
A ânsia de cada pecado
Repartido, com fé
Ao longo do tempo.

Quero preencher-te 
Da mais orgânica inspiração
Lavar cada um dos meus versos 
Em teu dom,
Ver-me nos olhos que contemplo.

Quero dar ainda maior propulsão
À tua coragem,
Ainda que me perca em teus impulsos,
Quero segurar na tua mão
Mesmo sabendo que a qualquer momento
Surgirá um mundo novo.

Quero acordar-te dos pesadelos
Para acolhê-lo na luz
Da minha percepção mais cega
- Com ou sem poesia –
Quero calar-te com meus enredos
E te ouvir e te escutar
- Verbos que se parecem
mas não são o mesmo -
Assim como o amor é um, a cada dia.

Quero recobrar o...

TINY QUEEN
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April 21, 2017
 

A sintonia do silêncio no caos do mundo

O que te faz sentir vivo?
O que potencialmente torna a tua existência viável, 
Mesmo diante de toda e qualquer perda?

O teu ofício, a tua arte.
Ela é o motor e o combustível de cada sonho e das realizações que alcanças pelo caminho.
É o teu altar de equilíbrio
Tua prece de loucura
Tua instância mais pura 
Quiçá, a única libertadora.

Mas para seguir acessando essa dimensão
Para que extraia dela e de si
O aparato que o mundo precisa 
Para além da tua força criadora 
E artística:

É preciso equalizar o ruído da roda do mundo com a do próprio peito
A ponto de silenciar o caos em movimento.
Ele continuará ali
Em golpes de imagem
Exercendo a atração exata ...

ANGEL OF UNDERSTANDING
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April 21, 2017
 

O Segredo

3,2,1:
Fecho os olhos.
Para encontrar você
- Em mim -
É preciso isolar profundidades
Sem temer zonas de contato
Nem reprimir o desamparo,
À exaustão.

É preciso vir-te pura
De cara lavada
Com as "nádegas" viradas para a lua
Para ter a sorte mais ingênua
E ainda lamber-te terna 
Na ousadia sincera da minha loucura
E manter meu verso são.

Para encontrar você
- Em mim -
Preciso dominar meus dons
A ponto de redescobrir cada fraqueza
E frequentar cada rua com franqueza
Ter os olhos certos na esquina do porvir
Saber que tu talvez,
- jamais -
Me venhas.

E te ler de lá
E te ouvir daqui
E entender que se cada voz
Tem um papel a cumprir:
O meu, por hora
É escrever pra ti.

Ladrilhar o chão...

BHAVYA SINHA
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April 21, 2017
 

Uma pausa na poesia

Dois casos repercutiram enormemente na imprensa nos últimos dias:

José Mayer, ator brasileiro, denunciado por assédio contra uma colega de trabalho, e que, ciente da repercussão desastrosa de seus atos, voltou atrás e admitiu seu crime;

Victor Chaves, cantor brasileiro, indiciado por agressão contra a sua até então esposa, grávida de seu segundo filho, que mesmo com a análise das imagens das câmeras de segurança que levaram ao seu indiciamento, segue negando qualquer evento ou atitude abusiva;

Qual é a maior diferença entre os casos, grosseiramente falando, sendo ambos exemplos de crimes contra a mulher?

Os Sociopatas Narcisistas são indivíduos que não assumem seus at...

ALL ABOUT ATTITUDE
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April 21, 2017
 

Breve Incitação

Coloca as tuas mãos 
A serviço da lúbrica combustão
Que me põe tonta...

Entrega esse olhar aceso
E castanho
Aprofundado no tamanho
Da saudade que se agiganta.

Eu, chama
Labareda amarelo-laranja
E Verde-acobreada

Me chama
E me põe a lamber o oxigênio 
Que só o amor é capaz de inflamar
Nas palavras.

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MYSTERY OWL
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April 20, 2017
 

OSTINATO

Tem horas
Que eu quase sinto
Falta
Das minhas palavras,
Quando ainda eram exaustas
De tempo

Preenchidas
Na lógica ardil mas exata
Dos meus conflitos,
Passíveis de verificação.

Mas o ponteiro da terra parou
E se perdeu em desuso.

A matéria 
Que era item rústico
Fora elevada à abstração
Sem forma ou defeito
Sem conceito plástico
Vazios tácitos cheios de conteúdo.

Meus olhos
- Órbitas -
Planetas vedados,
Alheios ao ritmo surdo
Dos que denominam núcleos,
Reviraram-se espasmos.

E eu, enfim, 
Te permiti
- Tudo -
O que jamais fora
Em imagem e ângulo,
Imaginado.

Eu que sempre te recebi nos braços
Na quase hora 
de por pouco 
- Nunca -
Ter chegado,
Não previ o atraso...

Mas o tempo é ...

ANGEL BREATHING
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April 20, 2017
 

POEMA BENDITO

O melhor da tua força 
É a delicadeza dos teus braços 
Sempre aconchegados 
Da sensibilidade firme 
Que carrega nos olhos 
A flutuar meus sentidos 
Fluidos. 

Que privilégio não temer 
No verso, o exagero 
- nem ao vivo - 
Porque assim mesmo de longe 
Teus verbos me conduzem 
Às luzes irreparáveis 
Do arrepio.

E na boca
Essa serpente 
A envolver mistérios 
Em alma nua...

A tua pureza é bruta 
Mas mansa e profunda 
Como o arrebatar do beijo 
No frêmito do desejo
Inevitável 
De que me possua.

Teu amor é ágil 
Mas repousa nas delicadezas: 
No dilatar de pupilas 
Em gentileza sôfrega 
E macia...

Nas poucas frases a auscultar 
Teclas de consentimento, 
No vívido silêncio de con...

DEEP LOVE
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April 20, 2017
 

LETAL

Se é pra matar 
Mata-me de perto,
A respiração oscilada 
Entre nossos beijos imaginados 
E perdidos 
Em meio à distorção 
Das palavras.

Chega perto e não fala nada 
Que já não possa ser dito
- através dos teus olhos - 
Engolidos e heróicos, 
Nos meus, hipnóticos,
No torpor da saudade 
E do instinto.

Me perdoa esses versos
 - Lascivos - 
Mas como hei de reprimir 
Um vocabulário que se excede
- No que escrevo - 
Se ele só me falta quando te encontro 
- E me perco - 
Em teus beijos?

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ANGEL OF FAITH
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April 20, 2017
 

SINTONIA FINA
Ao meu amor
Mudo
Os sons graves no estetoscópio
O levante em arco dos pássaros
- Em bando -
Narrando em sons miúdos
O voo livre que há no ócio.

Ao meu amor
Mudo
A ligeireza singela dos pingos de chuva
O som evaporado em estado de nuvem
Que ninguém mais escuta.

Ao meu amor
Mudo
A cadência dos passos
Que o aguardam na varanda
E o volume de meus abraços
Que trazem beijos na garganta.

Ao meu amor
Mudo
A infância,
A agudez experienciada
Na fé das crianças,
E as vozes em voo de águia
Quando do balanço
Suas mãos forem a alavanca.

Ao meu amor
Mudo
A veemência metalizada
Dos sons do vento
A brisa bem breve
Das forças dadas
Pelo caminho que nos cria
O tempo.

Ao meu amor
Mudo
O silê...

STRIPE ME A LOGO
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April 20, 2017
 

DA COSMOLOGIA DOS OLHOS

Sempre que te trago meu silêncio
É porque já não cabe
- no intervalo entre as palavras –
Cada parada que meu coração dá
Sem ti.

De onde tirar o ar
Se quando “tu não estás”
Tudo fica imóvel
E a minha respiração torna-se mínima,
Como os meus reflexos sem tuas respostas?

Meu corpo se devota
Como a crer no post mortem da minha aorta,
E a insônia,
Permanece fazendo escolta,
- em alerta -

De tocaia genuína em minhas pálpebras
Que se alinham em teus planetas todos
Tu, esse epicentro sem forma geométrica
No cosmos, meu ponto de encontro.

E só o que nos separa
- É um cometa –
Essa rota de colisão
- talvez desastrosa –
Que sacudirá a poeira de nossos poemas
E a coragem que ...

SPACE DUST
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April 20, 2017
 

365 MOTIVOS

É bem solitário
Se reconstruir.

É olho no olho
Dedo na cara
Do espelho.

É dormir consciente
De cada vulnerabilidade exposta
No sonho.

Não há folga.

Não há como
Despedir-se de si
Mandar passar outra hora
Visualizar e não responder.

Tudo o que é adiado
Pesa imediato
No ar de respiro.

Reconstruir-se
É tempo de urgências
Analisadas com calma
Digeridas com mastigação atenta
E fôlego de quem leva um tiro.

Aquele suspiro
Que sequer é dor
Sequer é ainda estar vivo

É o tempo do mundo
Capacitado no segundo exato
Em que se é ferido

É o poder de resposta
Destilado no silêncio
Dos que sobrevivem sozinhos

É a cumplicidade solitária
Da própria liberdade
Exercida à exaustão
Dos motiv...

ANGEL OF AMOR
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July 11, 2015
Rio de Janeiro, Brasil

SUPLANTA
Só tenho
O que carrego em mim
Poço infinito de mínimas escolhas.

Sou posse
Mas livre
Da definição temerosa
Do tempo.

Sou reinvento
De uma mesma matéria
Que o vento
Soprou inda agora
há bem pouco...

Sou esteta da falta e do esforço  
Minha obra é produto do que sobra
Na entresafra para o novo.

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RAINY WINDOW
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July 1, 2016
Rio de Janeiro, Brasil

POEMA DE PRONTIDÃO
Não sei se é possível dizer
"Estou pronta":

Eu, criatura inacabada
Premissa óbvia
De tudo o que se diz
Humano.

Então não digo,
Ser gente,
Ser bicho,
Errante,
Ou errando.

Eu, curva acentuada
Para esquerda
- Volver -
Mas não marcho
Pois marchar murcha
A flor miúda
Que guarda
- e não oculta -
Cada certeza
Que se possa fazer
Da dúvida.

Escuta:
Quando estou na chuva
É para me molhar!

Eu, música,
Sinestesia rudimentar
De precisão cirúrgica,
Tácita na remoção abrupta
De toda mancha existencial...

Repara:
Palavras encanadas
Não mais.

Quero parir o ventre n'água,
Não secar-me ao sol
Nas facetas de ser e estar
- Só -
No silêncio por entre correntes
De palavras.

Escuta ...

NEON WILDERNESS
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June 23, 2016
Rio de Janeiro, Brasil

FENÔMENO
Porque você tem as palavras
Mais limpas
Sempre expostas no varal
Até evaporar cada gota
- De dúvida -
E a poesia ficar pronta
Pra que eu possa recolhê-la,
Enxuta.

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NEON WILDERNESS
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June 21, 2016
Rio de Janeiro, Brasil

OURO DE OSHUN
Que o teu coração
perceba
Que só o Amor pelo Amor
Redime
E ressignifica.

Que não existe raiva
- Mas tristeza -
Que o silêncio acompanhado
Só não te abriga,
Quando não deixas.

Foi tu mesmo quem disse,
Te lembras?
As palavras são encantamento:
Uma vez ditas
- ou desferidas -
Precisam ser reeditadas em voz,
Ato e sílaba:
Para salvarem-nos do calvário
De serem trauma,
De serem clausura da alma,
Em fístula.

O amor não é esperto
Não é vaidoso
Não é calculista.

O amor não é gozo
Se não pode ter o gosto
Apreciado na premissa de si,
Do que é generoso.

Deixa-me cuidar de ti
Desfaz os precipícios de palavra
Despencando ossos da boca
Em estouros de ouvido
Como as águas de um ...

GO GOLD
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June 8, 2016
Rio de Janeiro, Brasil

SOPRO DE VIVA
Faz tempo,
A minha poesia não respira
Sozinha...

Quer dizer,
Fazia.

Agora, além de respirar
Ela suspira.

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BARNEY
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June 5, 2016
Rio de Janeiro, Brasil

EM BRANCO

À medida em que eu fui lendo
Cada palavra,
Você foi desaparecendo
- De tudo -
Sendo expectorado
De mim.

Não doeu
Não houve tosse
Não houve corte
Você simplesmente partiu de mim
Em um suspiro breve
E quase imperceptível.

Veio o alívio,
Os pulmões preenchidos
O coração, tranquilo.

E que me perdoe o Poeta
O trocadilho:
Se foi,
Como deveria ter-se ido.

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SCRATCH THAT LOGO
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June 1, 2016
 

AO LEITOR
Sabe,
O meu amor não é plástico.
Nem a profusão difusa de instâncias
De quem fui,
Mas não sou.

Sou criatura, viva.
Um poema não roga fé
Pois é apenas do credo
Que se ergue sua substância.

Não há como fingir esse corpo
- Vivo -
De movimentos raros
De palpitação
- e caos -
Por escrito.

Não se forja um poema
Posto que ele é esfinge absoluta
Do que há de mais puro
Em essência.

Um poema pode ser uma letra
Mas nem toda letra
É um poema que se assina.

Eu, poeta,
- Subscrevo -
Assino embaixo,
Entrego íntegro e sintático
Cada verso de meu organismo
Para ser lido,
Para ser colhido,
- não arrancado -

Meu poema é de terra
De raiz e cultivo,
Meu poema é organismo,
Eu sou pleonasmo....

NEON WILDERNESS
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June 1, 2016
 

POEMA REPENTE
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Pra mim, a tarde é um insucesso.
É como se o tempo se permitisse vagar
Por meios-termos, ritos de passagem,
Quando, na verdade,
Aquela imagem branda do sol,
- Caindo -
É só uma despedida covarde
- E previsível -

Eu acho todo fim de tarde
Um lugar sem saída.

Não por não me dar com a noite
Ou por não saber ir de encontro
ao céu escuro.
Mas porque todo fim de tarde
Eu me lembro do que eu esqueço
E me torturo...

Talvez tenha a ver
Com a hora de voltar pra casa,
A hora de colocar a mesa,
Sentar junto...

Mas o que eu sei
É que todo fim de tarde
Tem um rito que me pisoteia,
- Me magoa -

A minha paz nunca foi vermelha:
- Esse é meu espírito de luta -
E eu agora, mulher...

FUNKY LETTRS
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May 29, 2016
Rio de Janeiro, Brasil

DONO DA LUZ
O tempo todo
Era você:
A sua voz
O seu olhar
A proteção do seu coração
Maciço
E precioso.

Era você
- Muito antes do outono -
Guardando bem entre as mãos
A gentileza do vento em cada sopro,
Carregando a fé imensa como dom
Pendurada no pescoço.

Era você...
Ali, pra mim
- o tempo todo -

Mas o medo,
- Calabouço de toda pretensa coragem
Por vezes congela as pálpebras
Em acrobacias baratas
Que sequer sustentam a verdade.

Não há malabarismo que disfarce
O coração que bate sem pulso nobre,
Não há silêncio que se compare
À voz radiante que se descobre
Quando do cárcere da ilusão
Ela se liberta em volume.

E como não há verso sábio
Sem o apuro frágil de seu curtume,
- Agora eu ...

FUNKY LETTRS
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May 22, 2016
 

POEMA IMÓVEL
Tudo o que fui
Foi esvaziado do que sou:
Nada temo mais.

Só,
Tenho a mim:
Essa lúdica dimensão
De disparidades
Lúcidas.

O meu amor
Foi engolido
Pela teia etérea
Do sempre faminto
Desamparo.

Nem mesmo nervos de aço
Foram páreo
Para tamanho risco
Por vezes disfarçado
Por flores de plástico.

É irreversível:
A coragem é fictícia
Quando não ancorada
Na liberdade frágil
Mas benigna
Dos olhos de quem partiu.

Hoje sou esta fuligem
- Arquetípica -
Rastro evaporado da mobília
Arrastando velhas sílabas
Em passos incógnitos no vazio.

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Hurray for Hollywood
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May 12, 2016
 

DO COMEÇO DE TUDO
Tua voz tem a senha
A maciez que arranha
E incendeia
Todo o repertório submerso
Em meus poemas.

Tua voz chega e desmancha
Qualquer rima pronta
Porque tem essa força
-  que ecoa divina -
Tua voz é o segredo
Redescoberto
Em amor que não se assimila.

Porque muito antes desse mundo ser feito
A palavra,
- Poeira da lua em gás rarefeito -
Já se contorcia no silêncio do cosmos
À espera do som que a faria estrela.

E não importa o tempo,
A rotação ou órbita do planeta,
Sempre que volto meus olhos
Para o branco do papel,
Tua voz acende o céu
Em transparência:

É dessa luz que nasce meu poema.

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May 12, 2016
 

DA MEMÓRIA E DO FIM
Eu sei,
Eu escolhi
Preservar-me à esfera
Do esquecimento:

Jazi vazia,
Pele fria,
E matéria oca
Por dentro.

Sem cor, a boca
Sem sangue
Escorrendo.

O som agora explode
À luz das sombras:
É preciso ouvir a urgência
Que pormenoriza o afeto
A fé,
E a força

O tempo parece não dar conta
Da estática da minha emoção,
De tudo o que parou
De viver em mim

A morte é a terra
Onde se planta um cadáver,
- Não um corpo -
O morto é o sobrevivente
Que teve coragem de tentar tudo de novo
E criou um jardim.

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Hurray for Hollywood
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May 11, 2016
 

EMBOSCADA
Eu sou
A armadilha
Do meu próprio desaparecimento.

Não importa a dimensão
Ou forma
Que assuma
- O silêncio -

Sempre haverá uma
Ou outra migalha
- Semente de palavra -
A ser carregada
pelo vento

Eu sou a garantia
Do meu próprio
Esquecimento

Sim, eu esqueço.
A lembrança é um relicário
- Barato -
Do que se pagou caro com o tempo.

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SUPER....LETTRS
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